Tarifa de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros: o que as empresas precisam entender e como agir
A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos vive um momento de tensão. Em 2025, o governo norte-americano estabeleceu novas tarifas sobre produtos brasileiros, que agora chegam a 50% em alguns casos. A medida impacta diretamente setores de alto valor agregado e exige atenção especial das empresas que exportam para o mercado norte-americano.
Embora a justificativa oficial norte-americana envolva questões políticas, de segurança nacional e de comércio internacional, para as empresas brasileiras o foco deve estar nos impactos econômicos e nas estratégias para mitigar riscos.
O processo se deu em duas etapas:
- Abril/2025: tarifa inicial de 10% sobre determinados produtos brasileiros.
- Julho/2025: tarifa adicional de 40% sobre boa parte desses mesmos produtos, elevando a carga total para 50%.
Apesar da amplitude da medida, cerca de 60% das exportações brasileiras para os EUA já estão em uma lista de exceções que mantém a tarifa reduzida. Essa lista cobre aproximadamente 700 categorias de produtos, e empresas de diversos setores têm buscado incluir seus itens nesse rol.
Negociações e possibilidades
As negociações para redução ou exclusão das tarifas acontecem em duas frentes:
- Governo a governo, por meio de acordos bilaterais ou consultas multilaterais.
- Empresarial, com companhias e associações setoriais atuando diretamente junto a órgãos e autoridades norte-americanas.
No cenário atual, o caminho governamental enfrenta entraves políticos e geopolíticos. Já a via empresarial tem mostrado resultados, especialmente quando alinhada aos interesses estratégicos dos EUA, como segurança de fornecimento, competitividade, preservação de empregos e estabilidade de preços internos.
Mesmo com um cenário desafiador, há medidas práticas que podem ser adotadas por exportadores brasileiros:
- Mapear se seus produtos estão sujeitos à tarifa de 50% ou já constam na lista de exceções;
- Analisar oportunidades de incluir produtos na lista de exceções, apresentando argumentos econômicos e de segurança de fornecimento relevantes para o mercado norte-americano;
- Estabelecer presença local nos EUA, o que pode abrir portas para incentivos e programas federais, como os relacionados à indústria de semicondutores, tecnologia e segurança alimentar;
- Avaliar mercados alternativos para reduzir a dependência das exportações aos EUA;
- Reforçar a conformidade regulatória e a solidez da cadeia de suprimentos para aumentar a competitividade.
Papel do planejamento estratégico
Para empresas exportadoras, o momento exige diagnóstico de riscos, projeções financeiras considerando a tarifa e planos de contingência para diferentes cenários comerciais. Além disso, iniciativas de advocacy empresarial e representação setorial podem ampliar as chances de negociação bem-sucedida.
Embora a tarifa de 50% represente um desafio considerável, existem caminhos para mitigar seus impactos. O uso estratégico das listas de exceções, a aproximação com stakeholders norte-americanos e o fortalecimento de práticas de compliance e competitividade podem garantir a continuidade das exportações e preservar o acesso ao mercado dos EUA.
Na Adccont, apoiamos empresas na análise de cenários internacionais, no planejamento tributário e aduaneiro e na estruturação de estratégias para atuar de forma segura e eficiente no comércio exterior.
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